sábado, 28 de janeiro de 2012
Rob Fleming
sexta-feira, 27 de janeiro de 2012
segunda-feira, 23 de janeiro de 2012
Um frenesi, uma ilusão
quarta-feira, 14 de dezembro de 2011
O que não coube
terça-feira, 6 de dezembro de 2011
Entrevista
Olá. Abaixo segue entrevista que concedi ao site Sou Repórter, do curso de Jornalismo da Unimep. Para quem quiser conferir na íntegra, basta clicar aqui. Abraço enorme ao amigo e repórter Renato Evangelista!
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SOU REPÓRTER: Como surgiu a idéia de trabalhar teatro com crianças de uma forma atípica, ou seja, com peças geralmente encenadas por adultos?
DANIEL: Foi um acidente. Minha formação não é em pedagogia, mas em artes cênicas e em literatura. Nunca havia trabalhado com crianças antes. Cheguei em Iracemápolis em 2007, chamado para desenvolver um trabalho teatral com crianças de 7 a 14 anos. No meio do percurso, percebi que a capacidade e a força de vontade dos pequenos iam muito além da superficialidade que normalmente se espera deles. Minha bandeira dentro do Núcleo é exatamente essa: provar que crianças e adolescentes estão (ou podem estar) perfeitamente aptos à mesma profundidade, na forma e no conteúdo, que o chamado “teatro profissional adulto”. Criança não é café com leite. Chega de teatrinho mal feito, ensaiado porcamente em duas semanas! Chega do tom professoral, obcecado de forma doentia por uma mensagem quadrada, mastigada, politicamente correta. Chega da chatice das boas intenções, de atores despreparados, perdidos em cena, que falam como se fossem bobos. Ninguém aguenta mais isso. As crianças estão prontas para um nível de exigência e elaboração infinitamente maior. Só precisam de alguém para ativar esse botão.
SOU REPÓRTER: Algumas peças já produzidas pelo grupo, como Macbeth e A Hora e Vez de Augusto Matraga, abordam temas delicados como a traição e a violência. De que forma tais temas são abordados perante as crianças do projeto?
DANIEL: Bertold Brecht costumava dizer que não existem temas adultos ou infantis. Qualquer tema trabalhado com um adulto pode, em última análise, ser tratado com crianças também. O que muda é a linguagem. A forma como você faz determinado assunto chegar até elas. Não se pode perder de vista que crianças e adolescentes estão numa fase de descoberta (conhecimento do mundo) muito mais intensa do que a nossa. Esses temas merecem, portanto, um manejo cuidadoso, mas isso não significa que devemos omiti-los. Não acredito muito em censura. Esconder algo de uma criança, sob o pretexto de poupá-la da dura realidade, é o caminho mais fácil. No futuro, ela vai se deparar fatalmente com aquilo que lhe foi omitido, mas estará longe da sua tutela, da sua educação e orientação. Estará por conta própria. Eu vejo muito isso hoje em dia: crianças enchendo os pais de perguntas e tudo o que recebem de volta é um “porque sim” ou então “pergunta pra sua mãe”. Aí eu penso: um dia essa criança vai deixar de perguntar aos pais e agir da forma como bem entender. Nesse sentido, penso que o teatro é um ambiente adequado (não tão adequado quanto o próprio lar) para se discutir esses temas. Mas esse é o caminho mais difícil. E geralmente ninguém está muito disposto a responder às perguntas dos jovens.
SOU REPÓRTER: Muitas crianças que fazem parte do grupo têm origem humilde e estão distantes do universo de Shakespeare e Guimarães Rosa, entre outros autores utilizados para realização das peças. Você acredita que esses meninos e meninas têm pleno entendimento daquilo que estão encenando? Suas peças influenciam na formação de vida dos seus alunos?
DANIEL: Não creio que essa distância em relação a autores eruditos dependa unicamente da classe social. Alunos da classe média alta também desconhecem esses autores e suas obras (ou então têm um contato acadêmico muito superficial em relação a eles). Um conhecimento mais profundo e visceral da literatura, hoje, é raro entre os jovens. Acho que o teatro pode ser um mecanismo eficiente nesse ponto. Uma alternativa, um diferencial para despertar o interesse de crianças e adolescentes. Uma maneira de transportá-los para o universo de Machado de Assis, Guimarães Rosa, Graciliano Ramos, entre tantos outros, com dinamismo, fluência e prazer. Com relação ao entendimento e assimilação dos autores, estou convencido de que isso é um investimento a longo prazo. Dizer que eles atingem todas as camadas de Guimarães Rosa seria um exagero (nem doutores acadêmicos conseguem atingi-las), mas sei que a semente que está sendo deixada ali irá despertar algo no futuro, algo que ultrapassa o nível da intelecção e atinge um terreno mais emotivo, poético, humano. O investimento que estamos fazendo aqui é para a formação humana do indivíduo. Sou suspeito para falar, mas acho que toda a sala de aula, hoje, deveria ter um professor de teatro.
SOU REPÓRTER: Todas as peças até aqui produzidas tiveram uma trilha sonora marcante. Uma salada de décadas efervescentes da música. Existe um método para colocar as músicas nas cenas ou é pura inspiração?
DANIEL: O teatro, na verdade, é um pretexto ótimo para você conectar o aluno à diversas referências. Apresentar a ele um universo novo. Mostrar que o seu campo de visão é mais limitado do que imagina. A música faz parte disso. E devo confessar que a seleção da trilha é normalmente uma de minhas partes preferidas na composição de um espetáculo. Gosto de fechar a trilha num determinado estilo ou época, embora isso não seja necessariamente uma regra. Já trabalhamos com Chorinho, Rock Psicodélico, Música Clássica, Eletrônica, Jovem Guarda, Bossa Nova, Música de Raiz, Jazz e Indie Rock. A música tem um papel muito importante no nosso processo criativo. Ela está diretamente ligada à composição das cenas, à sincronia dos movimentos, à temática proposta. Não sei dizer até que ponto é método ou inspiração, mas a verdade é que não consigo esboçar um espetáculo em minha mente antes de esboçar a trilha. Cada diretor é de um jeito. Eu sou assim.
SOU REPÓRTER: Geralmente, as crianças não conhecem tais músicas por serem de décadas anteriores as suas gerações. Como elas se comportam diante dessas novidades?
DANIEL: Se fosse a música por si só, creio que não seria tão impactante. Não despertaria interesse. Mas o fato de que determinada música faz parte da trilha do espetáculo que eles estão preparando é algo totalmente diferente. O aluno passa a ter um contato mais íntimo com o som. Eles cantam as músicas. Aprendem a gostar delas. É comum batizarmos algumas cenas com o nome da música ou cantor: “Agora vamos passar a cena do Foo Fighters” ou então “Hoje vamos começar da parte da Billie Holiday, tudo bem?”. Isso dá um tom de intimidade. Por isso o nome do grupo é Núcleo de Vivência Teatral. O que fazemos aqui é exatamente isso. Usamos o teatro para criar diferentes formas de vivência artística, seja na música, na pintura, na literatura, no cinema e por aí vai. Usamos o teatro para intersectar diversas manifestações artísticas. É um projeto ambicioso. Mas o importante é começar.
SOU REPÓRTER: Quais são os próximos projetos do grupo?
DANIEL: Estamos preparando atualmente nosso segundo Shakespeare, mas dessa vez é uma comédia: A Megera Domada. Deve estrear em maio. Além disso temos duas peças em repertório (A Feiticeira, de Anton Tchekhov, e Chapeuzinho Vermelho, dramaturgia nossa). Recentemente comecei a desenvolver um novo projeto com adolescentes em Limeira. Um novo grupo, mas com a mesma metodologia (ou inspiração). Novas surpresas vão aparecer em breve.
segunda-feira, 14 de novembro de 2011
Fracasse Melhor
E daí veio a pergunta inevitável. "Por que sempre finais tristes?". Já tinham feito a mesma pergunta antes e eu não soube o que responder. Serei um obcecado pela infelicidade das personagens? ... Seria muito mais fácil botar a culpa nos autores ("se o texto termina assim, a culpa não é minha, mas do escritor, oras!"), mas não é justo. Afinal, quem escolheu cada um dos textos fui eu. Por que então? Pra deixar as pessoas ainda mais pra baixo? Crueldade minha?
Fiquei criando mil desculpas na minha cabeça até que, finalmente, depois que as quatro já tinham ido embora, caiu a minha ficha. Mirando o quadro que ganhei dos amigos Biajoni e Karen, veio uma luz: "Tente de novo. Fracasse de novo. Fracasse melhor." A tristeza não é necessariamente ruim. De modo algum. Pode até ser boa. E minha cabeça louca passou por Samuel Beckett e terminou em Rubem Alves. Assim, para responder àquela difícil questão, decidi postar aqui algumas palavras do cronista.
Melhor do que eu, Rubem Alves talvez possa responder à pergunta daquelas quatro atrizes curiosas. "Por que finais tristes?"
segunda-feira, 7 de novembro de 2011
Fortuna Crítica 35
